sexta-feira, 22 de junho de 2012

Em Ponta Grossa com Ilze Scamparini


Namastê caros amigos leitores interplanetários.


Como estão vossas senhorias? Tudo em paz?

Aqui no planeta Terra também, graças a Deus. 

Bom, mais ou menos né? De acordo com o jornal da manhã temos alguns probleminhas para resolver. Coisa básica, problemas globais discutidos na Rio + 20 que não levam a lugar nenhum ...


crise na economia europeia com o euro na tábua da capitã Merkel...


... o presidente do Paraguai tá a ponto de sofrer impeachment  pela oposição anti - democrática...


... e na linda Manaus tá acontecendo uma enchente tão grave que a cidade inteira tá tendo que correr.


É meu povo onde esse globinho azul vai parar?


Eu nem sei por que fico assistindo a esses noticiários. Ainda bem que sou brasileiro e carioca o que ajuda e muito a não ficar deprê por causa de tantos problemas no nosso mundo. Imagina quem já tem tendência a ficar triste com notícias ruins? Melhor nem pensar. Minha mãe já disse para eu parar de assistir aos jornais, mas eu não consigo, preciso saber o que está acontecendo ao meu redor.

Acho que é porque sou muito curioso. Assisto até ao noticiário do canal alemão DW sem ao menos entender um ‘Danke’.


 Leio virtualmente a CNN México ...


...  o El Colombiano ...
... e o New York Times.


Ás vezes dou uma olhadinha no Le Monde.


Nada passa despercebido pelos meus olhos.

Acho que eu me sairia bem em curso de comunicação social. Eu gosto de me comunicar, seja com pessoas, animais, plantas, as paredes do meu quarto... O ser humano foi feito para se comunicar. Até os simpáticos monges do Tibet não ficam sem se comunicar. Afinal eles não estão ali para encontrar a si mesmos? Já é uma comunicação.

Não que eu não esteja feliz na minha área. Estou e muito feliz, graças a Deus. Através do turismo eu posso transitar em muitas áreas, como as da cultura e educação que tanto me fascinam e é esse eterno movimento que me faz viver. 


Buscar coisas novas, aprender, compartilhar o que sei e assim ir escrevendo na nossa tábua rasa da vida. Quem se lembra das aulas de filosofia do ensino médio levanta a mão. René Descartes feelings.

Ás vezes fico vendo os repórteres viajando pelo mundo e acho que gostaria de fazer isso.  Tem uma repórter da globo que eu invejo , positivamente, muito! É a Ilze Scamparini.


Há uns 10 anos ela vive na Itália e é correspondente na Europa. Qualquer coisa que aconteça naquele meiozinho ali entre França, Itália, Espanha, Portugal, Grécia e similares ela dá uma corridinha lá e faz a reportagem. Gente, olha só que coisa maneiríssima! Sem falar que ela tá ali em nada mais nada menos que Itália! 

Deu uma vontade de ir ver o Coliseu ela vai, “ahhh hoje quero ver os afrescos de Rafael no Vaticano, é aqui ao lado”. Enquanto nós assistimos a missa com o padre da igrejinha local, ela assiste com o Papa. Deve comer fetuccini todos os dias com o mais puro provolone e saboreando uma taça do valioso vinho da linda Toscana. Sem falar no botox natural que é o ar italiano né? Alguém já reparou na juventude da Ilze? Eu devo revelar que ela tem 54 anos? Melhor não né? Até porque nem parece.

Oh vidinha difícil! Essa até minha cachorra Paris Hilton queria. Aliás, sim, o nome da minha cachorra é Paris Hilton. Qualquer dia eu falo dela. 


Diz se não dá uma invejinha essa vida de correspondente na Itália. Eu deixei claro, na Itália, porque ninguém quer ser correspondente em Israel né? Não que Israel não seja um lugar bacana, eu até tenho vontade de conhecer, mas o povo lá briga por tudo e eu sou muito pacífico para isso.

Como eu disse o bom mesmo seria viver na terra da bota (para aqueles que faltaram à aula de história, a Itália tem forma de bota de cano alto com um salto de 10 cm) ...


... experimentando uva do pé ...


... correndo pelos campos gentis e explorando as ruínas centenárias. 


O mais perto de uma ruína que eu cheguei foi agora na viagem ao sul em que visitamos o Parque Estadual de Vila Velha.


Quando falamos em Vila Velha todo mundo lembra do Espírito Santo né? Mas esse é no sul. Foi uma visita rápida, mas muuuuuuito bacana. Vale muito a pena conhecer. A propósito, vamos falar dessa visita hoje? Pra quem já acompanha o blog sabe que essa visita ao sul rendeu. Começamos pela gélida e organizada Curitiba e seguimos, voando, para a cidade de Ponta Grossa, que fica apenas a 100 km de distância da capital paranaense.

A viagem de Curitiba a Ponta Grossa foi ótima. A paisagem é a mais linda que vocês possam imaginar, são vales e campos verdinhos a perder de vista como diz meu pai.


Aquela paisagem característica do pampa sulista que não deixa a dever nada aos campos da Toscana.



Eu amo o meu Rio de Janeiro com todo o coração, mas viveria feliz no sul do país : )

Nem sei se meus companheiros de viagem conseguiram aproveitar a paisagem, muitos estavam dormindo e outros assistindo aquele DVD blasfêmico que comentei antes. Eu, graças a minha capacidade zumbi de não dormir consegui ver tudo. Uma pena o ônibus ir tão rápido, eu vi pontes antigas, construções rochosas magníficas. Queria ter fotografado aquelas belezuras, mas o fato é que tínhamos horário marcado no parque, por isso tivemos que ir rápido.

Deixa eu explicar melhor o que é o Parque Estadual de Vila Velha. É um sítio geológico que mantém e preserva uma cadeia de formações rochosas que de acordo com a guia, Amanda, que nos acompanhou possui aproximadamente 340 milhões de anos. O nome Vila Velha vem da forma que o conjunto de rochas compõe vista de longe semelhante a uma vila medieval. E é verdade, de longe, ainda na estrada dava pra ver uma formação linda de rochas.


O Parque é dividido em três partes:
1. Os arenitos, que são as formações rochosas e que muitas possuem formas.
2. As Furnas que são 3 crateras de erosão no solo com cerca de 100 metros de profundidade.
3. A Lagoa Dourada que possui água cristalina e quando o sol se põe a areia do seu entorno brilha dando uma coloração dourada, por isso seu nome.

Chegamos na hora marcada em ponto. Uffa! 


A bilheteria fecha às 15h30min e o valor do ingresso varia de acordo com a quantidade de atrativos que você deseja visitar. Como chegamos em cima da hora e ainda iríamos seguir viagem, só fizemos a visita a um atrativo que é a cadeia de rochas. Por sermos estudantes pagamos meia entrada , ou seja, R$5,00. A relação de preços é a seguinte:


 - Brasileiros:      
R$ 18,00 (Furnas, Arenitos e Lagoa Dourada)
R$ 8,00 (Furnas e Lagoa Dourada)
R$ 10,00 (Arenitos)


- Estrangeiros:    
R$ 25,00 (Furnas, Arenitos e Lagoa Dourada)
R$ 10,00 (Furnas e Lagoa Dourada)
R$ 15,00 (Arenitos)

Chegamos e fomos comprar os ingressos. O parque fecha às 17h30min e até que fizéssemos o percurso dos arenitos já estaríamos cerca desse horário. A guia era uma moça simpática, que por pressa ou por entusiasmo dava uns saltos parecendo bailarina do municipal. O clima estava ótimo, com uma cara europeia digna da Ilze em Roma.


A guia iniciou falando um pouco sobre o parque, em linhas gerais, ela falou que ele foi criado em 1953 e que tinha uma área de 3122 hectares. Foi tombado pelo Departamento do Patrimônio Histórico e Artístico do Paraná em 1966 e que em 2002 sofreu uma revitalização para receber os turistas e visitantes.


 A trilha é toda bem cuidada e sinalizada.



A cada rocha a guia nos identifica com qual objeto ou personagem ela se assemelha. Em algumas, de fato, conseguimos identificar algo, mas em outras nem com a imaginação do Tim Burton.

Essa é um camelo...


Essa claro é visível a garrafa da coca cola de 600 ml.



 Essa é a cabeça do índio. Eu só vejo a boca e depois dela ter sido atropelada por toda a tribo.


Essa não me lembro o que é. O que vocês acham?


Nessa eu juro que vi um urso olhando pro nada.  Teve gente que achou que era uma capivara, cotia... até uma coxinha... eita imaginação.


É uma trilha longa de uns 40 minutos. E olha o nosso look de caminhada.


O auge da trilha e também fim é quando chegamos a rocha com forma de taça, que inclusive é o cartão postal mais famoso de Ponta Grossa.

Tiramos a famosa foto em grupo junto à Taça. 


Depois de passarmos por essa rocha ainda caminhamos uns 25 minutos até o ponto inicial de onde saímos. Subimos escadas, passamos por cavernas e outras formações rochosas super interessantes.




Quando chegamos ao fim tiramos outra foto em grupo para registrar a visita que foi uma das melhores que já fiz. O parque é extremamente interessante, não só para quem estuda geografia e afins, mas por curiosidade e apreciação da formação rochosa e suas paisagens.


Quem estiver pelo Paraná, não pode deixar de conhecer.

Depois de conhecer o parque, seguimos nosso caminho rumo a Foz do Iguaçu. E vou dizer uma coisa, demorou tanto a chegar que quando o ônibus fazia alguma parada eu logo perguntava: “Já chegamos ao Uruguai? Já chegamos a Paris?”. E a realidade é que estávamos ainda entre as campinas gentis do Paraná. 

Bom, mas não posso reclamar de nada, foi uma visita técnica incrível. E agora falando sobre a visita, me arrependo de não ter feito um vídeo bem bacana no parque para fazer inveja aos campos da Toscana da Ilze. Na próxima ela não me escapa!


Onde eu não estou, as palavras me acham. 
Manoel de Barros

















quarta-feira, 20 de junho de 2012

Indiana Jonh no Cristo Redentor


Bom dia companheiros leitores! Como vocês estão? Tudo em paz?

Acabei de acordar e como sempre estava dando uma olhadinha no noticiário da manhã. A notícia do momento é a mesma: Rio + 20. O foco do mundo está agora no meu estado e acredito que com isso temos mais responsabilidade em mostrar que somos um país que, de fato, está preocupado com o futuro do nosso planeta e que vai além da preocupação, igualmente temos que pensar na contribuição.

Mas de acordo com as notícias da manhã, a coisa não tá tão fácil.


E eu até entendo, todos os governos teoricamente compartem da mesma preocupação, o que os diferem é: até onde estão dispostos a abrir mão para efetivar os efeitos dessa preocupação. Não adianta ficar se reunindo, fazendo charme que estão discutindo sobre o futuro do planeta enquanto estão dando close, viajando e tirando fotos em países diversos.

Enquanto isso o planeta tá aí a Deus dará.  Estava lendo uma reportagem ontem na CNN México que mostra uma foto da Terra desde o espaço. A foto foi publicada pela NASA e mostra que nosso planeta já não é tão azul como anteriormente conhecido. Através da foto podemos ver que o azul se converteu em branco, reflexo da quantidade de gelo que há no ártico. 


É possível observar também às áreas verdes do norte do planeta e as terras áridas próximas a linha do Equador. Não é preciso ser astronauta nem trabalhar na NASA para saber que a coisa num tá boa para o nosso lado, concordam? Qual a solução então? Não sou nenhum chefe de estado, sociólogo ou estudioso do clima, mas a solução é simples galera e já está aí na nossa cara desde 1687.  

Lex III: Actioni contrariam semper et aequalem esse reactionem: sine corporum duorum actiones in se mutuo semper esse aequales et in partes contrarias dirigi.

É a lei da ação e reação divulgada por Isaac Newton.

Lei III: A toda ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade: ou as ações mútuas de dois corpos um sobre o outro são sempre iguais e dirigidas em direções opostas.

O planeta só está refletindo nossas ações e as ações de nossas gerações passadas. Não adianta ter ECO 92, Rio + 20, Montreal x 67 ou Pequim -108 se nada se resolve. A discussão é necessária, mas os resultados não têm que vir a cavalo ou a unicórnio que só existe nos contos de fadas da Disney tem que vir é a trem bala chinês.


E se somos nós os culpados por tudo que está acontecendo, então temos que ser também a solução. Vamos parar de olhar o que o vizinho está fazendo e começar a agir a partir do nosso espaço. Enquanto ficamos discutindo política não paramos para prestar atenção na real verdade:

Temos de nos tornar a mudança que queremos ver no mundo.” (Gandhi). 

Mas gente em meio a essa discussão toda aqui no meu querido Rio, estava me lembrando do dia em que eu me senti mais carioca e brasileiro que nunca. O dia em que conheci o lindo e maravilhoso Cristo Redentor. Aliás, vamos falar sobre isso hoje? Eu estou muito animado para falar do Rio porque nos posts anteriores eu falei demasiadamente sobre São Paulo que aposto que vocês até chegaram a pensar que eu era paulista.

Antes tenho que dizer que estou a cara da felicidade pelos incríveis comentários dos meus amigos que estão curtindo as postagens diárias. Até minha ex - sempre professora Adriana Ramos disse que ele está bem trabalhado. Imagina o meu orgulho! E vocês sabem que a notoriedade acaba por trazer maior responsabilidade em seguir com posts de qualidade e interessantes. É esse o meu compromisso para com meus leitores e meus amigos.

Vamos então parar de lenga - lenga e falar da minha experiência em conhecer o pai de todos os cariocas: Cristo Redentor. Quem aí conhece o Cristo Redentor? Que isso galera! Tão poucos?

Para quem não sabe o Cristo foi eleito uma das novas 7 maravilhas do mundo. Ele tem 38 metros e foi inaugurado no dia 12 de outubro de 1931. Novinho né?


Essa visita não foi com o CEFET, pelo menos não diretamente. Geralmente, todo aluno de curso superior necessita realizar um estágio obrigatório e o meu foi em uma agência de viagens: a Tako Travel aqui mesmo de Nova Friburgo. Através da Tako eu pude conhecer o Cristo e mais outros lugares fantásticos aqui no meu Rio querido. Claro vou apresentar todos para que vocês possam conhecer e quem sabe ir visitar pessoalmente.

Na ocasião, o Beto que é o proprietário da agência e eu fomos ao Salão Estadual de Turismo na Praia de Copacabana. 

O Salão Estadual, diferente do Nacional é itinerante, ou seja, tá sempre mudando de lugar. No ano passado ele foi em Copacabana. Na verdade iria ser em outra cidade, mas aconteceram uns problemas e acabou sendo feito na praia de última hora, o que não tirou o brilho do trabalho de todos que estiveram envolvidos para que o evento acontecesse.


Eu estive em dois dias e nos dois, o evento estava com grande visitação inclusive de turistas que se encantavam com as belezas dos artesanatos e das manifestações culturais que se apresentaram. Bom, mas vamos começar pelo primeiro dia. Acordei cedo porque vocês já conhecem o trajeto Friburgo - Rio. Fomos no ônibus reservado pela prefeitura para levar os empresários da cidade.

O ônibus era muito confortável e estava quase vazio. Só foram uns 4 empresários de Friburgo e pegamos mais uns 8 em Cachoeiras de Macacu. Depois seguimos viagem. Não demorou muito para chegarmos ao evento.  Praia de Copacaban. Já viram, tem movimento todos os dias e com um evento bonito como aquele estava mais movimentado que de costume.


A estrutura do evento foi posta na areia. Bacana né? Pessoal de eventos sempre arrasando. Sabem eu já fui a dois salões estaduais do turismo. O primeiro em Teresópolis, cidade serrana aqui vizinha e a Paraty que é uma cidade no litoral verde do Rio e uma das minhas favoritas do país. Futuramente apresentarei Paraty para vocês. 


Voltando à praia de Copacabana, de longe já era possível ver a estrutura que a Secretaria de Estado de Turismo tinha montado. Estava muito bonito. Quem conhece o Salão Estadual sabe que ele reúne os principais municípios das regiões turísticas do estado. Os empresários locais vão para fazer contatos, os gestores levam seus estandes com artesanato, informações da cidade, tudo no objetivo de divulgar a cidade de cada um. 


A minha querida Nova Friburgo estava lá, bem posicionada logo na entrada do evento com o pessoal do turismo aqui da cidade: meus amigos Wal Mendonça da Secretaria de Turismo e Val Kratochwill e Bianka Schuabb do C&V Bureau.





Nossa cidade estava muito bem representada, inclusive o próprio secretário de turismo na época estava lá fazendo às honras. Nova Friburgo integra a região Serra Verde Imperial junto a Petrópolis e Teresópolis.

Outras cidades também marcaram ponto, como a linda cidade do meu pai, Duas Barras, que levou sua cultura para o evento com a celebração das Folias de Reis e sua gastronomia.


É, na feira também eram vendidos artigos de produção local. Uma iniciativa muito bacana para poder dar oportunidades aos microempresários e divulgar a cultura . Era possível também experimentar alguns produtos, o que atraía mais ainda os visitantes.




Tinha lugar para o artesanato.


E as apresentações culturais como eu disse. Esse aí foi algum show de pagode que reuniu em pouco tempo muitas pessoas animadas para dançar e prestigiar o evento. 



Foi uma ideia bem construída o evento na praia porque enquanto estive lá vi milhares de pessoas que estavam só passando e viam aquela estrutura toda, cheia de cores e sons e entrava para conferir, ou seja, casa cheia todos os dias.


Bom, depois de conferir todo o evento, tirar fotos, conversar com os amigos e tal, Beto eu e seus pais, sim porque eles foram conhecer o Salão Estadual decidimos ir visitar o Cristo Redentor. Na verdade o Beto disse que já haveria essa possibilidade se o tempo estivesse bom.

Pegamos um taxi e em poucos minutos chegamos ao simpático bairro do Cosme Velho.


Estava tão ansioso. Eu e milhares de pessoas que lotavam a entrada do monumento. Galera o Cristo não é restaurante mais vive cheio de gente. É incrível. Me deu vontade de perguntar a algum funcionário: “Escuta , quando que o Cristo Redentor tem folga?”.

Porque imaginem, ficar o ano inteiro, 365 dias, de domingo a domingo, em pé, com os braços abertos e ainda sendo simpático fazendo pose para tirar foto não é para qualquer um não.

A Estátua da Liberdade lá em Nova York tem um livrinho pra ler, uma tochinha para se esquentar no frio... 


... mas e nosso Cristo? Fica lá passando frio. Oh gente, tem que avisar ao Rio de Janeiro que a benevolente Princesa Isabel já assinou a Lei Áurea desde 1888. 


Bom, ainda que indignado pelos direitos não - trabalhistas eu estava ali e não poderia fazer feio, tinha que ir lá e dar um abraço ao Papai.

Para aqueles que não sabem é possível chegar até a estátua do Cristo através do lindo e maravilhoso bondinho pela estação do Cosme Velho, ou de carro pela estrada do Corcovado. 


Mas pessoal, só se aconselha subir de carro acompanhado de algum guia experiente ou algum carioca porque o caminho é um tanto complicado e com áreas de pouca segurança.

Convenhamos que é um pecado não subir de bondinho. Quem já visitou sabe disso.  Até eu que tenho pavor, horror, terror de altura subi de bondinho. Aliás, é essa a aventura que eu vou contar. 

Se vocês não sabiam, é verdade. Eu tenho medo de altura. O medo é uma coisa muito louca, porque não tem explicação. Você sabe que o troço é seguro, que faz milhares de viagens por dia, que na história de funcionamento não há registros de acidentes graves, mas mesmo assim suas pernas tremem como Elvis Presley em Tutti - Frutti ...


...  sua boca fica seca feito o deserto do Saara


...  e sua visão turva igual a do Clark Kent sem óculos.


O meu problema é não sentir meus pés no chão. Não sei se é porque sou um signo da terra, mas o fato é que tenho que ter a segurança dos meus pezinhos caminhando sobre alguma coisa.

Chegamos para comprar o ingresso, aliás, o meu ex - chefe pagou o meu (valeu!)


 ... e ficamos esperando junto aos demais numa semifila. Digo semifila porque quando o bondinho chega, a fila desaparece na velocidade da luz. 

Qual o valor do ingresso? Bom, vamos ver:

Adultos: o ingresso inteiro custa R$ 44,00, com direito a ida e volta e acesso à estátua do Cristo.
Crianças: de 06 - 12 pagam a metade, ou seja, R$22,00.

Estudantes também pagam a metade. 


Para menores de 06 anos é gratuito. E os idosos acima de 60 joviais aninhos tem desconto de 50%. É, os idosos também podem ir! Há a opção de subir de escadas rolantes. E aos simpáticos portadores de necessidades especiais também!E tem o mesmo desconto que os idosos. Tá vendo? O Cristo tá de braço aberto para todos. 

Ah e é legal também dizer que o Cristo não é visitado só por brasileiros. E foi uma das características que eu mais apreciei. Vi grupos de japoneses, franceses, chineses, alemães e outros. Tinha uma guia japonesa ao meu lado que falava japonês como eu falo português. Fiquei bobo.

Todos a postos, lá vem o bondinho vermelhinho. Todo mundo estica o pescoço para o ver chegando. E ele chega todo pomposo com pessoas felizes e sorridentes por acabarem de viver uma das maiores experiências de suas vidas. É , e eu estava a ponto de ter a minha.


Na expectativa de entrar e pegar um bom lugar seja brasileiro ou não todos saem correndo em busca de um lugar ao sol. Eu na minha educação carioca entrei pela parte lateral esquerda do trem e sentei na janela de costas para a subida. Erro número 1. 

Na verdade não estava preocupado com os 710 metros de altura do morro do Corcovado eu queria mesmo era viver essa emoção. Portanto, nem me dei conta se o bondinho subia de frente, de lado ou de costas. A verdade é que o bondinho tem assentos frontais e não frontais, ou seja, você pode ir de frente ou de costas. A minha prioridade, como bom curioso era ir à janela que se acredita ser o melhor lugar para ver tudo. E de fato era, até mesmo o que não queremos ver.

Motores ligados e lá vamos nós. Na primeira arrancada o meu estômago ficou com inveja do bondinho e copiou o mesmo movimento. Eu tinha uma noticia boa e uma ruim para me dar.  A boa? Eu iria conhecer o Cristo Redentor. A má? Eu estava subindo de costas.

Para quem tem medo de altura assim como eu sabe que não é nada agradável você ser puxado de costas para um lugar o qual você não está vendo e que faz movimentos bruscos a cada curva. Essa era minha realidade. Agarrei com força meus dedinhos na cadeira e continuamos subindo.  E sobe e sobe, e passa casa, e passa árvore, passa boi, passa boiada e a cada remexer do bondinho eu pensava : “ai meu Deus, ai meu Deus,!”.

Enquanto isso as pessoas sorriam felizes tirando uma foto a cada caule das árvores que percorrem o caminho. Falando em caminho, e um determinado ponto, já completamente adentro do parque o bondinho disparou sua buzina sem parar e eu: “obrigado gente, obrigado, eu nem tô nervoso”. A buzina era para espantar uns chineses que só Deus ou o Buda sabiam que raios eles estavam fazendo subindo pelos trilhos do bondinho a pé. Aham, a pé. Vocês acreditam?


Só vendo para crer. Eu pensei: “ou não tinha guia / funcionário que falasse mandarim para explicar que ali não poderia subir a pé, ou eles pensaram que estavam na Muralha da China”, onde, claro é possível fazer a visita a pé. Aliás, já contei que tenho o sonho de andar de bicicleta na Muralha? Não? Qualquer dia eu conto.


Chineses suicidas a parte, já em uma considerável altura eu, ainda que nervoso, comecei a aproveitar a vista que se desvendava pelas janelas do bondinho as belezas da cidade maravilhosa.


Para quem gosta é um super passeio ecológico porque o trem passa por dentro da maior floresta urbana do mundo (ficaram arrepiados agora né?) que é o Parque Nacional da Tijuca. Ah gente, me esqueci de falar, o trem é elétrico tá? Ou seja, não polui! E pelo o que li num informativo que peguei ainda no embarque, parte da arrecadação da bilheteria se destina ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente ajudando a preservar a mata.

Oh só que atitude bacana! Além de passear e conhecer o Cristo você ainda contribui com o verde de nosso país. E não podemos esquecer que é uma baita aula de história, afinal o trem do Corcovado foi inaugurado ainda pelo nosso Imperador D. Pedro II em 1884. Velhinho né?  Já andou foi gente nesse trem: papas, reis, príncipes, presidentes e alunos de turismo!


O bondinho de repente parou. “Pronto! Atropelou algum chinês!”. Mas não, não era nenhum chinês atropelado, era apenas a parada estratégica para que o segundo bondinho pudesse descer. A parada levou uns 10 minutos e aproveitou para pegar uma bandinha de samba que anima os tripulantes, em especial os gringos que ficam loucos com nossa malemolência carioca.

Depois da parada continuamos a subir. ‘Pelo amor de Deus não para de subir?’. Pensava eu. Curva atrás de curva. É o trajeto de Interlagos? Num determinado ponto, ouvi alguém dizendo que era a parte onde dava para ver todo o Rio.  Imaginei que seria uma baita paisagem, decidi gravar. Só para melhor localizá-los, eu estava sentado do lado esquerdo do bondinho, onde fica a maior parte das paisagens, ou seja, todo o lado do Rio. Erro número 2.

De repente, as árvores ficaram para trás e surgiu uma visão ampla e bela de todo o Rio de Janeiro e sua linda Baía de Guanabara.


A felicidade durou pouco. Após ver a paisagem ao fundo cometi o terceiro erro: olhei para baixo. Foi como ver a morte, com seu belo traje negro e sua ferramenta de trabalho gritando: 



Não tinha como fugir! Não era o 007, aliás, só tinha assistido a um dos seus filmes. Para ajudar, nesse momento da paisagem do terror, ninguém queria perder a oportunidade de tirar uma fotinha para guardar de lembrança. Resultado, todo o lado direito do bondinho correu para o lado esquerdo, onde se encontrava minha pessoa a ponto de pular do trem a la Indiana Jones. Pensei: “pronto, agora a vaca vai pro brejo, ou melhor, o bondinho vai pro precipício.”.

A solução que encontrei nesse momento desesperador foi olhar para o lado oposto. Vocês podem imaginar a cena? 100 pessoas com máquinas a punho olhando para um lado e uma única pessoa, bonita e loira olhando para o lado oposto. Como tenho o costume de dizer: seria hilário se não fosse trágico.

Sabem todo esse sofrimento da paisagem do Exorcista? Durou apenas uns 11 segundos. Mas já foi o suficiente para eu desejar imitar os chineses e subir a pé.


A viagem demora em cerca de 20 minutos, mas foram os 20 minutos mais longos dessa minha bonita vida.

Já cansado de subir, até porque acredito que já não tinha mais para onde subir, o bondinho anunciou que estávamos chegando. Aleluia! Eu pensei. 


O bondinho parou suavemente e todos, finalmente, descemos sãos e salvos. Começamos então a subir uma rampa que dava acesso ao principal atrativo: a estátua do Cristo.


Pelo caminho eu ainda ajudei um pai e filho americanos a encontrar a direção certa, pois estavam perdidos. Me agradeceram com um simpático ‘thank you very much’ e entraram na fila onde tomamos um elevador que nos leva à parte superior, onde está o bonito Cristo. Eu estava super feliz, depois da aventura no bondinho eu estava com meus pés em terra firme.  Espera aí, o elevador é panorâmico? “Ai meu Deus! Ninguém me avisou que eu iria pagar meus pecados hoje”.

Inteligentemente, eu dei um jeito de ser o primeiro a entrar no elevador, por isso eu poderia me esconder no fundo deste e não ver que estávamos subindo mais ainda. 


O elevador chega ao topo em questão de segundos e então você se depara com uma paisagem que te faz entender o porquê os chineses mesmo não sabendo como chegar até ali estavam subindo a pé. 



É sem dúvida uma paisagem que estará na lista de quem visita, nas primeiras posições. Virando a direita encontramos as escadas rolantes que nos levam ao ponto mais alto e também ao mais esperado, o Pai Cristo Redentor, de costas e de braços abertos.


Entrei nas escadas rolantes e em dois minutos já estava diante de centenas de pessoas que admiravam emocionadas o Cristo simpático e receptivo. 




Eu também estava emocionado. Estava frio, muito frio, mas eu não sentia nada, é como estar em transe pela emoção. É difícil de explicar com palavras, só sentindo mesmo. A propósito, acho que é esse o quesito fundamental para nomear um monumento como uma maravilha do mundo. Não saber explicar o que se sente diante do mesmo.

Eu, graças a Deus, tive a oportunidade de conhecer duas novas maravilhas do mundo moderno: o Cristo Redentor e as Cataratas do Iguaçu que recentemente, em 22 de fevereiro ganhou esse título junto a outros monumentos naturais, e posso garantir que a emoção é a mesma: inexplicável. Ainda comentarei essa aventura pelo Parque das Cataratas.


Seguimos nos braços do Pai e tão emocionados que é difícil até tirar foto. A sensação de não querer ir embora também é presente. Claro, não podemos ficar ali o tempo todo, infelizmente, portanto é melhor aproveitar para tirar fotos e admirar a paisagem.

Ah, já que estamos aqui vamos fazer um vídeo.

Espera aí, o Cristo Redentor tem um coração? Caramba que burro eu sou! Eu não sabia!!!!!!!!Mas sim, é um coração e muito bem feito. Que lindo!


Hora de descer. ‘Ahhhhh, mas já acabou? Tava tão bom aqui’. 

È tudo tão perfeito. Olha ali como a Ponte Rio Niterói fica pequenininha. 


Te dá muita vontade de cantar:


Mais uma vez pegamos as escadas rolantes e o elevador.

‘Opa, tenho que pegar o trem de novo!’.

Essa era a doce realidade. Mas dessa vez eu não seria bobo, iria sentar do lado esquerdo. É eu vim do lado esquerdo, mas não se esqueçam de que agora o trem estava do lado oposto, por isso, para eu não sofrer com as belas paisagens tinha que descer do lado esquerdo. Preocupado com essa dinâmica espacial, acabei me esquecendo de me sentar de frente e o que me restou foi um lugar, outra vez de costas!

Não era tão ruim, agora ao menos eu já conhecia o lugar que subi pela frente, iria conhecer por trás.  Me foquei no teto do bondinho e só me distrai quando duas chilenas me perguntaram como fazer para chegar ao Pão de Açúcar. Eu devo ter cara de guia de turismo, só pode. Expliquei como fazer e até disse o preço. Elas agradeceram bastante e eu fiquei feliz em poder ajudar e praticar meu espanhol com nativos.

Que engraçado, parece que o bondinho foi mais rápido agora. Será que o ditado ‘ pra descer todo santo ajuda’ é verdade?  Ao que parecia, sim!

Pegamos outro taxi e fizemos o mesmo trajeto em retorno à Praia de Copacabana. Chegamos cedo, o ônibus ainda não estava lá, então aproveitamos para dar uma voltinha ...


...  tirar uma foto em frente ao belíssimo Copacabana Palace...


...  e  apreciar o final de tarde na praia.


Voltamos , pegamos o ônibus e retornamos a Nova Friburgo. Com muita satisfação por ter conhecido o Cristo, ainda que vivendo uma aventura a la Indiana Jones.

Bom pessoal , vocês viram que vale muito a pena conhecer o Cristo e o meu Rio querido. 

Para dar mais água na boca finalizo com o video promocional do próprio monumento.


Paz!

A escrita é a única forma perfeita do tempo
Jean-Marie Le Clézio